Depuração com arroz integral - benefícios para o corpo e para a mente
- Maria João Lopes
- 17 de mar.
- 4 min de leitura
Atualizado: 21 de mar.

Com a chegada da Primavera, celebra-se a renovação da vida vegetal e animal, o renascer!
E por isso é sempre aconselhável fazermos uma depuração (de corpo e mente) nesta altura.
Limpar e soltar o que não interessa, para dar lugar ao novo.
Tal como as árvores e os arbustos são podados para crescer e florescer melhor, também o nosso corpo agradece uma limpeza mais profunda, para que possa iniciar um novo ciclo de expansão em plenitude.
A Primavera convida a uma alimentação mais leve, é hora de substituir os alimentos mais densos e oleosos (que nutriram o nosso corpo no Inverno) por alimentos pungentes, amargos, adstringentes, secos e leves.
O truque para que o nosso corpo recupere o equilíbrio é dar-lhe alimentos naturais, cozinhados de formas simples e sem demasiados temperos. O nosso corpo gosta de simplicidade e nosso sistema digestivo também.
Comecemos então por falar do cereal que vai ser a estrela da nossa depuração: o arroz (integral):
O arroz (oryza satira) é um cereal bastante equilibrado e com uma óptima assimilação.
É um alimento energético, que não deixa resíduos metabólicos e por isso é tão recomendado em dietas depurativas (na sua versão integral).
Devemos optar sempre pela versão integral, não só pela fibra, mas também pelo conteúdo de vitaminas (grupo B e vitamina E) e minerais.
Tal como outros cereais integrais, o arroz integral é rico em silício.
É apto para celíacos, uma vez que não tem glúten.
É utilizado na Medicina Tradicional Chinesa para tonificar os pulmões e o intestino grosso, sendo um dos melhores alimentos para tratar os problemas intestinais.
É importante demolhar antes de consumir - mudando diversas vezes a água - para ajudar a desdobrar o ácido fítico (1), eliminar o excesso de arsénio, e para que seja mais fácil a absorção dos diversos oligoelementos.
Esta depuração é inspirada na "Dieta nº 7" de George Ohsawa - fundador da macrobiótica.
Para quem não conhece é uma mono-dieta, onde durante 10 dias só se come arroz integral - no entanto, esta dieta só deverá ser feita por quem já segue diariamente um regime macrobiótico.
Não é uma dieta para emagrecer, é uma dieta para depurar. (Ainda que algumas pessoas perdem peso.)
E foi precisamente isto que fiz há cerca de 2 semanas, devido a um “overload” do meu sistema digestivo, mas que veio muito a calhar, porque coincidiu praticamente com a chegada da Primavera.
Os benefícios foram notórios ao final do 1º dia de dieta (quando me refiro a “dieta” , refiro-me a um regime alimentar, e não a um processo de emagrecimento), não só fisicamente, mas também na minha mente.
Como estava com muitos sintomas gastrointestinais, decidi ser radical e fiz durante dois dias uma dieta macrobiótica, que consiste em comer apenas arroz integral ao longo do dia. Eu adicionei um pouco de gomásio por cima do arroz integral - receita no final do artigo - e bebi Chá 3 Anos (ou Kukicha) para além de água.
Ao final de dois dias estava sem qualquer tipo de sintomas gastrointestinais e com a mente mais focada, mais centrada.
Nesta dieta podemos comer a quantidade de arroz integral que desejarmos, a todas as refeições, umas vezes em creme de arroz, outras apenas arroz cozido - no entanto aconselho que as quantidade sejam moderadas, tendo a noção que o intuito é depurar.
Para quem faz uma dieta macrobiótica regularmente, pode fazer a depuração apenas com arroz integral, no entanto quem tiver uma alimentação mais tradicional (com carne e peixe), deverá optar por incluir outros alimentos, como uma tigela de sopa miso por dia, vegetais escaldados, nas principais refeições e em alguns casos, fruta cozida.
A proporção diária deve ser aproximadamente: 70% arroz integral, 20% vegetais e 10% sopa miso.
A saída da depuração deve ser gradual, ou seja, outro tipo de alimentos (fruta crua, carne, peixe, ovos) devem ser introduzidos de forma progressiva.
Ponto chave : mastigar muito bem!
Isto é fundamental e indispensável neste processo.
Mastigar cerca de 20 a 30 vezes cada garfada (ou até o arroz ficar praticamente líquido).
Confesso que fiquei com dores musculares no maxilar quando fiz esta dieta. Verdade…! Confesso que como rápido e não mastigo como deveria, daí esta dieta ter sido tão positiva, para me dar mais consciência no acto de alimentar o meu corpo e na importância da mastigação.
É importante que comamos sentados e tranquilamente.
Tentem observar o que sentem, fisicamente e emocionalmente, ao longo da refeição, façam disto um exercício de mindfulness. É muito gratificante, acreditem.
Podem cozinhar arroz para vários dias, é o mais prático (o arroz integral dura cerca de 3/4 dias no frigorífico.) Desta forma só têm que aquecer o arroz, aconselho ao vapor - assim o arroz ficará quente, sem ficar seco.
Ressalva importante:
Para quem tem doenças activas e toma medicação, este tipo de depuração deve ser feita sempre com o acompanhamento de um profissional ou nutricionista com formação em macrobiótica e jamais por conta própria.
Grávidas, lactantes e crianças não devem fazer esta depuração.
(1) O ácido fítico encontra-se na casca dos cereais, sementes e castanhas, e é uma forma utilizada pelas plantas para utilizar o fósforo. No entanto, no nosso organismo, ele pode impedir (enquanto agente quelante) a absorção de minerais como o cálcio, magnésio, ferro e zinco.
Receita - Gomásio
Ingredientes:
Sementes de sésamo
Sal marinho integral
A proporção base de sementes para sal é de 16/18 partes de sementes para 1 de sal.
Tostar o sal marinho numa frigideira (sem qq tipo de gordura adicionada) alguns minutos até ficar brilhante. Retirar e moer num almofariz até obter um pó fino.
Coloque as sementes de sésamo (previamente lavadas) numa frigideira e toste em lume baixo, mexendo constantemente com uma colher de pau (abane a frigideira de vez em quando).
Quando as sementes começarem a saltitar e libertarem um aroma agradável, retire uma e esmague entre os dedos - se a conseguir esmagar facilmente, é porque estão tostadas.
Coloque as sementes tostadas juntamente com sal no almofariz e moa devagar, com movimentos circulares e regulares até que todas as sementes fiquem esmagadas.
Deixe arrefecer e guarde num frasco de vidro fechado.
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